It is not the first time I show a work from Banksy in this blog. But I come back to him because it is just amasing to see the range of works he has produced in different projects.
Weburbanist has a nice article on him and on his site you can find more examples of his work.
Sunday, 17 February 2008
Street Art from Banksy
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O Coxo
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Thursday, 14 February 2008
Entroncamento
texto de: O Coxo
Um rapaz chega a um entroncamento. O público grita por trás:
- À esquerda, à esquerda !
- Em frente, em frente !
No embaraço da escolha o rapaz cava um túnel e nunca mais é visto.
Rumores sugerem que foi viver para os antípodas.
Construíu casa numa rotunda e no quintal plantou malmequeres.
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O Coxo
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Wednesday, 13 February 2008
Claustrofobia
texto de: O Coxo
A vida interior é inóspita. Não gosto de me demorar muito por lá, sabes?
Todas as coisas são tremendas. Um candelabro que balança para lá e para cá num movimento hipnótico pode conduzir-te à morte.
Prefiro a vida cá fora. Fora dos olhos quero dizer. Nunca fui um asceta, a austeridade assusta-me. Vivo na tangência da pele ferozmente arrancada pelo atrito da fuga.
O tempo é atroz, o amor é pungente. É preciso habitar a experiência, glorificar o instante pródigo, arrancar mais pele na fuga e sobretudo não olhar para dentro. Toda a racionalidade é abominável e conduz à loucura.
Ou então tudo isto é assombro. Talvez tenha medo de escadas sem fim e nada de portas, nada de janelas, escadas em espiral até ao infinito e onde está a felicidade merda ? como é que saio daqui ?
Já passeaste dentro de ti ? não me refiro à espiritualidade nem à metafísica, quero saber se já te passeaste por veredas interiores ladeadas de arbustos. Quero saber se já te passeaste por amplos jardins que terminam em horizontes ambíguos. Quero saber se já te perdeste nessa névoa macilenta que dissolve todas as formas.
E no entanto quando fecho os olhos só escadas. Fecho os olhos e escadas sem fim.
Toda a vida interior é absurda.
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O Coxo
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Rotina
texto de: O Coxo
É assim: parte-se de manhã e o sol até parece uma estrela viva em que fusões nucleares e assim. Mas não. Na brutalidade da luz matinal constroí-se o equívoco. E enquanto luto para tirar a maldita geada do vidro do carro tenho medo desses oito minutos.
Conduzo por instinto. Não vejo o carro que vem da esquerda e a luz mais forte ainda. Oito minutos volvidos. Hidrogénio em Hélio e fotões aos montes.
Vozes à minha volta e a luz forte que vem do tecto.
Tecto ?
Tenho sono (como todos os dias de manhã temos sono). Vozes à minha volta de cara tapada e bata branca. Estou deitado.
- passa-me o bisturi
Mais sol e oito minutos sem saber se haverá carros da esquerda. O sol com uma cor mais branca e por cima um tecto.
Um tecto ?
De certeza que estou atrasado. Da rotunda ao escritório cinco minutos e agora o carro da esquerda e eu aqui deitado a olhar o sol.
O sol ?
eu aqui deitado a olhar a luz pendurada do tecto. A olhar a luz pendurada do tecto e as enfermeiras
enfermeiras ?
as enfermeiras agitadissimas. Uma azáfama de hospital como se alguém
eu ?
como se alguém estivesse atrasado para o trabalho porque na rotunda a geada, o vidro, o carro da esquerda, o rádio que falava de baixas pressões, o homem de bicicleta que todos os dias me cruzo com ele, a farmácia ainda fechada, o buraco na estrada (o buraco que outro dia esqueci e o pneu furado), o ruído de travagem.
É assim: Parte-se de manhã já atrasado. A luz do sol dá-nos oito minutos de vida e a malha do destino fecha-se à nossa volta. Depois uma linha direita numa máquina que lê corações e no final mais luz. Dizem que um túnel.
Não sei se um túnel, mas parece-me que hoje não vou chegar a horas ao trabalho.
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O Coxo
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Friday, 8 February 2008
...et nous reparlerons des gentilshommes de fortune

"... tu savais qu'une tzigane m'a dit que lorsque je mourrai tous ceux qui seront autour de moi mourront aussi ?"
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O Coxo
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Thursday, 31 January 2008
Wednesday, 30 January 2008
Coitado do Álvaro de Campos
Excerto de poema de Álvaro de Campos
Que bom poder-me revoltar num comício dentro da minha alma !
Mas até nem parvo sou !
Nem tenho a defesa de poder ter opiniões sociais.
Não tenho, mesmo, defesa nenhuma: sou lúcido.
Não me queiram converter a convicção: sou lúcido.
Já disse: sou lúcido.
Nada de estéticas com coração: sou lúcido.
Merda ! Sou lúcido.
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Monday, 28 January 2008
Os Nomes
Eugénio de Andrade em "Os sulcos da Sede"
Há um tempo em que damos estranhos
nomes às coisas.
Por exemplo, fulgor; por exemplo,
mundo; por exemplo, desejo.
Nomes novos, como na infância
a neve.
Um dia acordas, tens treze,
catorze anos, descobres que estás nú
e tens ao lado outro corpo
também despido e menos inocente.
Ao teu ouvido, conivente com a luz
matinal das laranjeiras,
chega um rumor de sílabas roucas
húmidas de desejo.
Como noutros dias, de ramo em ramo,
a neve.
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O Coxo
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Wednesday, 23 January 2008
Black Movie Festival

A success on the rise, the Black movie festival in Geneva has just published its programme for 2008. The festival takes place in Grutli, Spoutnik, Bio and Scala cinemas in Geneva, from the 1-10 of February. In these 10 days, you will have the opportunity to get to know emergent and confirmed talents from the cinema in Asia, Africa and Latin America.
Check the website for details on the programme:
http://www.blackmovie.ch/
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O Coxo
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Tuesday, 22 January 2008
Sweeney Todd
Stephen Sondheim est un des grands auteurs compositeur de comédie musicale encore vivant. Le personnage de Sweeney Todd est inspiré d’un fait divers ayant eu lieu en 1784. Un barbier aurait tué environ 160 personnes, avant d’être pendu.
L’interprétation des personnages est tenue par l’Opéra de Poche, actif depuis seize ans. Philippe Cantor interprète avec charisme le barbier Sweeney Todd. Une comédie musicale, pleine de noirceur…
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O Coxo
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Sunday, 20 January 2008
A vida fictícia
Excertos do livro "Húmus" de Raul Brandão
As paixões dormem, o riso postiço criou cama, as mãos habituaram-se a fazer todos os dias os mesmos gestos. A mesma teia pegajosa envolve e neutraliza, e só um ruído sobreleva, o da morte que tem diante de si o tempo ilimitado para roer. (...)
Todos os dias dizemos as mesmas palavras, cumprimentamos com o mesmo sorriso e fazemos as mesmas mesuras. Petrificam-se os hábitos lentamente acumulados. O tempo mói: mói a ambição e o fel e torna as figuras grotescas. (...)
A vida é fictícia, as palavras perderam a realidade. E no entanto esta vida fictícia é a única que podemos suportar. Estamos aqui como peixes num aquário. E sentindo que há outra vida ao nosso lado, vamos até à cova sem dar por ela. E não só esta vida monstruosa e grotesca é a única que podemos viver, como é a única que defendemos com desespero. (...)
Estamos aqui todos à espera da morte ! estamos aqui todos à espera da morte ! (...)
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Friday, 18 January 2008
Underground dream
texto de: O Coxo
15h35
Estou algures em França, cem metros abaixo da superficie.
Há uma claridade indistinta como num sonho. Estou sozinho. Luzinhas piscam num painel à minha frente. E o ruído. Muito ruído. Ah, além disso estão trinta graus (uma avaria na ventilação disseram-me).
Um homem sozinho cem metros debaixo de terra mergulha dentro de si mesmo. Mergulha inevitavelmente dentro de si mesmo. A alma deixa de ser uma barreira intransponível à medida que nos aproximamos do inferno.
(de certeza que há uma porta por aqui)
Começa assim: as luzinhas desatam a piscar no cruzamento de duas artérias, os medos vão crescendo no sangue e saem de mim numa efluência transparente. Há um anjo renegado que sente o odor lá do meio das suas chamas. Uma porta que não existia antes abre-se numa parede e sou convidado a entrar.
Hesito. Entrar numa porta não autorizada é uma falta profissional. Tudo uma questão de acessos. Verifico o meu cartão:
"acesso tunel, acesso galerias, acesso experiências".
Nada sobre portas inexistentes que conduzem
portas inexistentes que conduzem
Porra, entro na mesma, entro na mesma que se lixe.
Quando um homem mergulha dentro de si mesmo não pode hesitar: mergulha-se o mais rápido possível para não ficarmos presos nas entranhas. Se queremos chegar à alma há que colocar todo o peso da solidão em cima de nós para descer mais rápido.
Entretanto há um erro de leitura de corrente: "erro de leitura de corrente - teste interrompido".
Deve ser grave: as luzinhas deixaram de piscar.
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O Coxo
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