one of the most impressive scenes of Ingmar Bergman's film: "The Seventh Seal". The knight confesses to Death himself, whith whom he has been playing his own life in a chess match.
Monday, 30 January 2012
Det sjunde inseglet
Posted by
O Coxo
at
18:07
0
comments
Friday, 27 January 2012
outono
o rosto no espelho ainda me surpreende
e no entanto já o deixei há muito tempo
no tempo em que a loucura era um capricho primaveril
para nos fazer sorrir.
Agora é outono.
tempo de folhas mortas e espelhos partidos
(por: O Coxo)
Posted by
O Coxo
at
18:00
0
comments
Monday, 9 January 2012
Water
In the café they bring me a glass of water
as if it could solve all my problems.
How ridiculous, I think: there is no solution.
And yet, after drinking the water,
I stop feeling thirsty.
And this exclusively organic sensation
brings me a moment of calm.
How well they understand philosophy, I think,
and then go back to my anxiety.
(poem by Gonçalo Tavares, translation by Richard Zenith)
(poema de Gonçalo Tavares)
as if it could solve all my problems.
How ridiculous, I think: there is no solution.
And yet, after drinking the water,
I stop feeling thirsty.
And this exclusively organic sensation
brings me a moment of calm.
How well they understand philosophy, I think,
and then go back to my anxiety.
(poem by Gonçalo Tavares, translation by Richard Zenith)
A água
No café trazem-me um copo com água
como se ele resolvesse todos os meus problemas.
É ridículo – penso – não há saída.
No entanto, depois de beber a água
fico sem sede.
E a sensação exclusiva do organismo
acalma-me por momentos.
Como eles sabem de filosofia – penso –
e regresso, logo a seguir, à angústia.
como se ele resolvesse todos os meus problemas.
É ridículo – penso – não há saída.
No entanto, depois de beber a água
fico sem sede.
E a sensação exclusiva do organismo
acalma-me por momentos.
Como eles sabem de filosofia – penso –
e regresso, logo a seguir, à angústia.
(poema de Gonçalo Tavares)
Posted by
O Coxo
at
22:43
0
comments
Tuesday, 29 November 2011
Monday, 28 November 2011
Monday, 7 November 2011
uivos
"Há decerto uma lei moral, mas há sempre por trás uma boca a pregar. Uivos, gritos, exasperos. É a transformação do grotesco em ferocidade, é a camada de hipocrisia que custa a romper. (...)
Foi grotesco, começou por ser grotesco. Mas escuta-te: é um mundo que lá tens dentro, é uma multidão que se prepara para o assalto. Estava adormecida, acordou. Mete medo. E pregam, açulam-se, avançam direitos aos seus apetites, ao saque, à guerra, à luxúria. Continham-na arames enferrujados, o medo da morte, o hábito de crer em Deus, cacos de armadura que derruíram de um dia para o outro. Descobrir que não há Deus que alegria! Põe a gente à vontade. Respira-se de outra maneira. (...)
Agora é que eu contemplo a vida - e me perco na vida. Começo a ter medo de mim mesmo e não me posso olhar sem terror. Que é isto, este sonho, esta dor, esta insignificância entre forças desabaladas? Onde hei-de por os pés? Eu sou a árvore e o céu, faço parte do espanto, vivo e morro ligado a isto. Sou temeroso e ridículo. (...) Sou ridículo e construí o mundo. Sonho e acabo reduzido a pó. Sou capaz de tudo e um nada me abate. Sou sórdido e fútil e não tenho limites - vou de mundo a mundo e de espírito a espírito. Dei almas às coisas inertes, significação ao universo, vida ao que não existe, luz às estrelas - e no fim acabo grotesco."
(in Húmus, Raúl Brandão)
Foi grotesco, começou por ser grotesco. Mas escuta-te: é um mundo que lá tens dentro, é uma multidão que se prepara para o assalto. Estava adormecida, acordou. Mete medo. E pregam, açulam-se, avançam direitos aos seus apetites, ao saque, à guerra, à luxúria. Continham-na arames enferrujados, o medo da morte, o hábito de crer em Deus, cacos de armadura que derruíram de um dia para o outro. Descobrir que não há Deus que alegria! Põe a gente à vontade. Respira-se de outra maneira. (...)
Agora é que eu contemplo a vida - e me perco na vida. Começo a ter medo de mim mesmo e não me posso olhar sem terror. Que é isto, este sonho, esta dor, esta insignificância entre forças desabaladas? Onde hei-de por os pés? Eu sou a árvore e o céu, faço parte do espanto, vivo e morro ligado a isto. Sou temeroso e ridículo. (...) Sou ridículo e construí o mundo. Sonho e acabo reduzido a pó. Sou capaz de tudo e um nada me abate. Sou sórdido e fútil e não tenho limites - vou de mundo a mundo e de espírito a espírito. Dei almas às coisas inertes, significação ao universo, vida ao que não existe, luz às estrelas - e no fim acabo grotesco."
(in Húmus, Raúl Brandão)
Posted by
O Coxo
at
20:02
0
comments
Sunday, 6 November 2011
Subscribe to:
Posts (Atom)
