Saturday, 8 October 2016
caucasus
View of Hayravank Monastery and Sevan Lake, Armenia
Kapatadze lake, on the road from David Gareji monastery to Sagaredjo, Georgia
(photos by O coxo, September 2016)
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O Coxo
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Tuesday, 30 August 2016
Um quarto dos poemas é imitação literária
Herberto Helder dito por Fernando Alves, in Servidões
Um quarto dos poemas é imitação literária,
outro quarto é ainda imitação mas já irónica e colérica,
outro quarto é das labaredas da inquisição à volta,
outro quarto, o quarto, o que falta, é por causa da
magnificência do mundo
o quinto quarto absurdo é o das quatro patas cortadas,
e o último é ele que olha da montanha
onde abriu na
pedra o seu nome inabalável,
e voltava ao primeiro como se fosse orvalho,
como se fosse tão frio que cortasse até ao osso,
o imo do próprio nome assim metido na pedra,
tanto que ninguém sabia de quem era,
porque ficou todo dentro e não se via de fora:
nem o suor nem o sangue nem o sopro
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O Coxo
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21:12
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Monday, 29 August 2016
Explorers wanted
EXPLORERS WANTED ON THE JOURNEY TO MARS
Hike the solar system's largest canyon, Valles Marineris on Mars, where you can catch blue sunsets in the twilight, and see the two moons of Mars (Phobos and Deimos) in the night sky.WORK THE NIGHT SHIFT ON MARTIAN MOON PHOBOS
Night owls welcome! If you lived on Mars' moon Phobos, you'd have an office with a view, mining for resources with Mars in the night sky. Settlers below on Mars would see Phobos rise and set not once, but twice in one day!FARMERS WANTED FOR SURVIVAL ON MARS
Got a green thumb? This one's for you! In space, you can grow tomatoes, lettuce, peas, and radishes just like you would find in your summer garden. New ways of growing fresh food will be needed to keep brave explorers alive.SURVEYORS WANTED TO EXPLORE MARS AND ITS MOONS
Have you ever asked the question, what is out there? So have we! That curiosity leads us to explore new places like Mars and its moons, Phobos and Deimos. Just what lies beyond the next valley, canyon, crater, or hill is something we want to discover with rovers and with humans one day too.
TEACH ON MARS AND ITS MOONS
Learning is out of this world! Learning can take you places you've never dreamed of, including Mars and its two moons, Phobos and Deimos. No matter where we live, we can always learn something new, especially with teacher-heroes who guide us on our path, daring us to dream and grow!TECHNICIANS WANTED TO ENGINEER OUR FUTURE ON MARS
People with special talents will always be in demand for our Journey To Mars. Whether repairing an antenna in the extreme environment of Mars, or setting up an outpost on the moon Phobos, having the skills and desire to dare mighty things is all you need.ASSEMBLY REQUIRED TO BUILD OUR FUTURE ON MARS AND ITS MOONS
Are you someone who can put things together, solving challenges to ensure survival? Dare to forge our future with space-age tools - build spaceships to carry us to Mars and back, and habitats to protect us while we're there.
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Sunday, 17 July 2016
Stop making sense
Civilized people walk funny.
There is always a party going on somewhere.
People will remember if you always wear the same outfit.
(loose phrases from stop making sense, David Byrne, Talking Heads)
and now, the big suit:
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O Coxo
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Saturday, 16 July 2016
musiques en été
Musiques en été, Parc de la Grange, July and August, program here
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O Coxo
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19:03
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Friday, 15 July 2016
Plus que suspect
Les chênes sont atteints d'une grave maladie
Ils sèchent après avoir laissé échapper
Dans une lumière de purin au soleil couchant
Toute une cohue de têtes de généraux
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O Coxo
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Friday, 13 May 2016
Tuesday, 3 May 2016
Burden of Time
photo par O Coxo, Avril 2016. Mosquée dans les ruines d'une Kasbah à Tineghir, Maroc (Merci à nos amis de Tafouyit, Tamttatouchte, de nous avoir accueilli encore une fois. 14 ans après notre premier rencontre.)
The What? The Burden of Time.
Juste une note pour dire que le poid du temps nous fait finalement sentir plus légers. Il y a une densité superflue qui se perd qui a comme effet de nous libèrer des mots nécessaires. Les mots qu'il faut toujours dire sont d'un coup remplacés par du silence. Le silence qui doit toujours y être, à la place des mots.
C'est ça le travail minicieux du temps: de nous libèrer des mots. C'est son ouevre le plus beau.
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O Coxo
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23:30
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Monday, 2 May 2016
romã
Parte I
Começa aqui a exorcização do medo
Começa aqui o regresso às manhãs frias
à terra húmida e aos declives com musgo
onde espreita o fim e a morte lenta
e tudo é prazer na pele
(O Coxo)
Parte II
Romã: do árabe Romman
Fruta originária da Pérsia, cultivada na Ásia Central, na Geórgia, na Armênia, no Azerbaijão e na região Mediterrânea por muitos anos. O seu cultivo tem uma longa história na Armênia, onde restos de romãs fósseis datadas de 1000 a.C. foram encontrados. Foram os berberes que levaram a romã e seu cultivo para a Península Ibérica.
(in "a origem da palavra Romã", Maria Luiza Berwanger da Silva)
Parte III
Perséfone foi seqüestrada por Hades e levada para viver no inferno como sua esposa. A mãe de Perséfone, Deméter, entrou então em luto pela perda de sua filha. Devido ao luto, todas a plantas cessaram de crescer. Zeus, não podendo deixar a terra morrer, ordenou que Hades devolvesse Perséfone. Todavia, era regra do destino que qualquer um que consumisse alimento ou bebida no inferno estaria condenado a ficar lá por toda a eternidade. Quando Perséfone era ainda prisioneira de Hades, ela não tinha nenhum alimento para comer e Hades enganou-a oferecendo-lhe quatro sementes de romã. Por causa disso, ela foi condenada a passar quatro meses por ano no inferno. Assim, durante os quatro meses de Inverno em que Perséfone está ao lado de seu marido Hades no inferno, a terra não é fértil.
(in "a origem da palavra Romã", Maria Luiza Berwanger da Silva)
Parte IV
Rômulo Rema
Rômulo rema no rio.
A romã dorme no ramo,
a romã rubra. (E o céu).
O remo abre o rio.
O rio murmura.
A romã rubra dorme
cheia de rubis. (E o céu).
Rômulo rema no rio.
Abre-se a romã.
Abre-se a manhã.
Rolam rubis rubros do céu.
No rio,
Rômulo rema.
(Poema de Cecília Meireles)
Parte V
Image du film: La couleur de la grenade, Sergei Paradjanov, 1969
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O Coxo
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23:01
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Sunday, 17 April 2016
aos remotos de todos os Tibetes
Se considero com atenção a vida que os homens vivem, nada encontro nela que a diference da vida que vivem os animais. Uns e outros são lançados inconscientemente através das coisas e do mundo; uns e outros se entretêm com intervalos; uns e outros percorrem diariamente o mesmo percurso orgânico; uns e outros não pensam para além do que pensam, nem vivem para além do que vivem. (...)
Estas considerações, que em mim são frequentes levam-me a uma admiração súbita (...) aos místicos e aos ascetas - aos remotos de todos os Tibetes (...). Estes, ainda que no absurdo, tentam, de facto, libertar-se da lei animal. Estes, ainda que na loucura, tentam, de facto, negar a lei da vida, o espojar-se ao sol e o aguardar da morte sem pensar nela. Buscam, ainda que parados no alto de uma coluna; anseiam, ainda que numa cela sem luz; querem o que não conhecem, ainda que no martírio dado e na mágoa imposta.
Nós outros todos, que vivemos como animais com mais ou menos complexidade, atravessamos o palco como figurantes que não falam, vaidosos da solenidade do trajecto. (...) Os outros - os místicos da má hora e do sacríficio - sentem ao menos, com o corpo e o quotidiano, a presença mágica do mistério. São libertos, porque negam o sol visível; são plenos, porque se esvaziaram do vácuo do mundo.
(Bernardo Soares, in "O livro do Desassossego")
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