Tuesday, 29 November 2011

in the mist

(foggy morning in Muang Ngoi, Laos, photo by O Coxo)

Muang Ngoi

(Muang Ngoi, Laos, photo by O Coxo)

by the river

(Muang Khoua, Laos, photo by O Coxo)

rainy day

(monks in Luang Prabang, Laos, picture by O Coxo)

Monday, 28 November 2011

a lesson














(Luang Prabang, Laos, picture by O Coxo)

Monday, 7 November 2011

uivos

"Há decerto uma lei moral, mas há sempre por trás uma boca a pregar. Uivos, gritos, exasperos. É a transformação do grotesco em ferocidade, é a camada de hipocrisia que custa a romper. (...)

Foi grotesco, começou por ser grotesco. Mas escuta-te: é um mundo que lá tens dentro, é uma multidão que se prepara para o assalto. Estava adormecida, acordou. Mete medo. E pregam, açulam-se, avançam direitos aos seus apetites, ao saque, à guerra, à luxúria. Continham-na arames enferrujados, o medo da morte, o hábito de crer em Deus, cacos de armadura que derruíram de um dia para o outro. Descobrir que não há Deus que alegria! Põe a gente à vontade. Respira-se de outra maneira. (...)

Agora é que eu contemplo a vida - e me perco na vida. Começo a ter medo de mim mesmo e não me posso olhar sem terror. Que é isto, este sonho, esta dor, esta insignificância entre forças desabaladas? Onde hei-de por os pés? Eu sou a árvore e o céu, faço parte do espanto, vivo e morro ligado a isto. Sou temeroso e ridículo. (...) Sou ridículo e construí o mundo. Sonho e acabo reduzido a pó. Sou capaz de tudo e um nada me abate. Sou sórdido e fútil e não tenho limites - vou de mundo a mundo e de espírito a espírito. Dei almas às coisas inertes, significação ao universo, vida ao que não existe, luz às estrelas - e no fim acabo grotesco."

(in Húmus, Raúl Brandão)

Sunday, 6 November 2011

the rickshaw


(art work from street artist Banksy)

Monday, 10 October 2011

Thursday, 6 October 2011

animatou

Wednesday, 5 October 2011

where birds are usually hit

I walk a little above the ground
In that place where birds
Are usually hit.
A little above the birds
In the place where they usually lean forward
To take flight
(...)
I walk humbly through the word’s outskirts
A passer-by one invisible step above earth
In that place of trees with fruit and trees
Engulfed by fire
I’m a little inside what burns
Slowly dwindling and feeling thirsty
Because I walk above power to satiate whoever lives
And I squeeze my heart out for what descends on me

And drinks

(poem by Daniel Faria; Translation: 2004, Richard Zenith)


Ando um pouco acima do chão
Nesse lugar onde costumam ser atingidos
Os pássaros
Um pouco acima dos pássaros
No lugar onde costumam inclinar-se
Para o voo
(...)
Ando humildemente nos arredores do verbo
Passageiro num degrau invisível sobre a terra
Nesse lugar das árvores com fruto e das árvores
No meio de incêndios
Estou um pouco no interior do que arde
Apagando-me devagar e tendo sede
Porque ando acima da força a saciar quem vive
E esmago o coração para o que desce sobre mim

E bebe

(poema de Dainel Faria; 1971-1999)

Tuesday, 4 October 2011

Stalker

Caro pcp, para quando a prometida sessão de Stalker ?



(Scene from the film Stalker, Andrei Tarkovsky, 1979)

It is said that Tarkovsky, on being told that the film should be faster and more dynamic, replied: - the film needs to be slower and duller at the start so that the viewers who walked into the wrong theatre have time to leave before the main action starts.

Sunday, 28 August 2011

antes da aurora

"By Chance"--that is the most ancient nobility of the world, and this I restored to all things: I delivered them from their bondage under Purpose. This freedom and heavenly cheer I have placed over all things like an azure bell when I taught that over them and through them no "eternal will" wills. This prankish folly I have put in the place of that will when I taught: "In everything one thing is impossible: rationality."


"Por acaso" - é a mais antiga nobreza do mundo, e eu restituí-a a todas as coisas, libertei-as da servidão da finalidade.
Como uma abóbada azul, pus sobre todas coisas essa liberdade, essa serenidade celeste, no dia em que ensinei que por cima delas e por elas não há "vontade eterna" que possa agir.
Pus no lugar dessa vontade o capricho e a loucura, no dia em que ensinei que " em todas as coisas o que é impossível é que elas sejam racionais".

(Zaratustra in "Also sprach Zaratustra", Nietzsche)