
The 3rd edition of Geneva's festival international du film d'animation, Genève, starts today with the movie "Peur du Noir". It will be in Titanium cinema, at 19h30. You can check the festival's program here.
I knew about this festival from a friend, so it is the first time I am going which means I cannot comment on the quality of the movies yet... but the opening movie looks promissing:
Le frôlement rapide de pattes d’araignées sur une peau nue…
Des bruits inexplicables que l’on entend la nuit, enfant, dans une chambre close…
Une grande maison vide dans laquelle on devine une présence…
L’aiguille d’une seringue qui se rapproche inexorablement…
Autant de frissons que nous avons tous éprouvés un jour ou l’autre.
Six grands auteurs graphiques et créateurs de bande dessinée ont accepté d’animer leurs dessins et de leur insuffler leurs cauchemars, gommant les couleurs pour ne garder que l’âpreté de la lumière et le noir d’encre de l’ombre. Leurs récits entrelacés composent une fresque unique, où phobies, répulsions et rêves prennent vie, montrant la peur sous son visage le plus noir…
Saturday, 4 October 2008
Peur du noir
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O Coxo
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Monday, 29 September 2008
Na berma da estrada
texto de: O Coxo
Amanhã é improvável. A não ser que passe alguém e me leve. Se passar alguém que me leve então deixarei de ser louco. Abdicarei de anos e anos de desconstrução interior.
Na berma da estrada, ou mesmo parado sobre um passeio de granito, um louco transborda-se. Sobra-se (é por isso que um louco ocupa sempre dois lugares num banco de jardim).
E no entanto os loucos são absurdamente magros.
Por outro lado há por aí pessoas muito pequenas. Gente que sabe fazer malas e consegue fechá-las no fim, sabes ? Comigo nunca resulta: há sempre uma manga de camisa de fora ou uma meia que teima em cair.
Por isso amanhã é improvável. A não ser que passe alguém e me leve. Se passar alguém que me leve então fecho a luz e acordo (porque eu sonho excessivamente de luz aberta). É que num louco há um relógio imperativo que não não toca. Ainda é manhã quando um louco anoitece e mesmo assim julga-se madrugador.
Por isso o improvável. A não ser que passes por aqui e me acordes e me leves contigo e me penteies em frente ao espelho para me dares a dignidade de que os loucos carecem e depois quem sabe se na berma da estrada possamos, sei lá, apanhar uma boleia e partir à procura dessa gente miudinha que sabe fazer a mala e que anda sempre de risca ao meio ou podemos ficar por aqui de luz fechada deitados lado a lado sobre o chão de granito a ver as estrelas cair até que um tipo de bata branca me agarre e me ponha a camisa de forças, e aí sim, é provável que eu vá.
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O Coxo
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Tuesday, 23 September 2008
AMR jam sessions
That is my favorite spot for Geneva's tuesday evenings from 21h30.
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Sunday, 7 September 2008
Banksy in New Orleans
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Wednesday, 3 September 2008
porque amanhã vai chover
texto de: O Coxo
Chovia póstumamente. As gotas fustigavam as janelas com um amor exacerbado. Penetravam pacientemente nos interstícios da fé.
(porque a água procura o homem na inviolabilidade das casas)
Dentro das casas os homens rezavam. Todos os homens transbordam de fé nos dias chuvosos. Recusam o afecto dos elementos por detrás de janelas de vidro duplo.
E as gotas batiam, soletradas. Gotas ígneas, quimicamente compostas. Esse fluido devoto era o motor da fé restablecida. Uma fé alcalina.
Quando a chuva parou os homens choraram. Tinham-se habituado ao ruído da chuva lá fora e a esse medo pueril que alimenta o divino. Alguns suicidaram-se. Outros voltaram a acreditar na necrologia e nos posfácios. Escreveram autobiografias, prepararam sepulcros, compraram gerânios.
Houve ainda aqueles que ficaram simplesmente junto à janela, imóveis. A fé suspensa na espera.
É que Deus nunca existe em dias de sol.
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O Coxo
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Friday, 29 August 2008
A hora dos imberbes
texto de: O Coxo
Inácio não tinha relógio, por isso deixou crescer a barba. Havia entre os seus colegas de trabalho quem duvidasse que uma barba pudesse substituir um relógio. Os funcionários são criaturas avessas às pilosidades preferindo uma boa dose de cepticismo e um relógio de quartzo. Mas Inácio não se intimidou. E a dita cuja foi crescendo desavergonhadamente ao ritmo de um centímetro e meio por dia útil.
Era uma barba monstruosa. Possuia uma dinâmica vida interior que se desenvolvia no sentido dos infinitos espaços inter ministeriais. Movia-se com destreza nesse jogo de minúcias temporais, animada de secretas intenções.
Perante o assombro geral, a barba ganhava terreno na repartição. Já tinha chegado ao armário das circulares administrativas e dos procedimentos anexos e ameaçava agora sem qualquer pudor a mesa dos formulários urgentes e dos requerimentos por intermédio de terceiros.
Esta prodigalidade começava a preocupar o Sr. Bonifácio que se ocupava das licenças e alvarás e que tinha visto desaparecer, sob a barba de Inácio, dois dossiers carregadinhos de processos em apreciação.
Várias barbearias, dois cabeleireiros unisexo e uma loja de tesouras ficariam assim irremediavelmente arruinados.
Coincidência ? não para o Sr. Bonifácio, que mantinha a barba debaixo de olho durante o horário legal de trabalho. Sem embargo, fazia cinco minutos de pausa para café de manhã e dez minutos à tarde, onde aproveitava para ler o jornal do ministério, inteirando-se assim dos pormenores mais escabrosos que animavam a vida da direcção geral de assuntos internos.
Um dia os acontecimentos tomaram um rumo inesperado. Bonifácio reparou que a barba crescia assincronamente em horas de ponta. A situação era inaceitável. Os funcionários inquietavam-se e corriam em todas as direcções. Adiantavam relógios na esperança de conter essa força desmedida.
Tinham convicções. Sabiam os horários de cor, com as suas tabelas e anexos. Confiavam na usura. Alicerçavam a sua vida no hábito lentamente acumulado. E agora a barba.
Inácio não se comovia. Vivia no alheamento das sombras.
Na sua loucura preenchia impressos.
As hierarquias rapidamente decretaram a nova situação como perfeitamente enquadrada pelas regras em vigor, o que tranquilizou chefes e sub chefes que se apressaram a espalhar a notícia. Então começou a crescer na repartição um clima de pubescência generalizada. Abandonava-se o relógio em troca de um bigodinho. Rasgavam-se calendários deixando crescer a pêra. Até as senhoras deixaram de depilar as axilas.
Um dia Inácio não veio trabalhar. E toda essa gente se viu entregue à sua orfandade. Olharam para os seus bigodes rídiculos e pêras e axilas e odiaram-se muito. Era um ódio fecundo. E esse fel aprimorava instintos que conduzem inevitavelmente à morte.
O tempo era escasso, a morte urgia e Bonifácio passava alvarás.
Os últimos segundos sairam dos relógios com gravidade. E depois o silêncio.
No dia a seguir a repartição não abriu. Culpou-se o governo e as instituições. Fizeram-se petições, greves de fome, manifestações.
Entretanto numa repartição vizinha Jesualdo comprou um chapéu de feltro por razões desconhecidas, provocando o espanto geral.
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O Coxo
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Monday, 25 August 2008
La Bâtie

The summer is over. In reality it never came.
Meanwhile, Artamis celebrated its last days giving the illusion of a different Geneva for one night. Now only Usine resists to this kind of "cultural cleansing" initiated last year.
I should have guessed that the city of the bankers and the oil magnats wouldn't tolerate for much longer the alternative cultural mouvement that was living hidden underneath its skin, with its centre in the squats around Plainpalais. It was time to bring things back in track, keeping culture in its usual cages, formated to please the masses.
Rhyno, Artamis, Alhambra, Scala (saved at the last minute, but for how long?), all are symptoms of this intolerance.
True, there are still festivals like "La Bâtie" to make us stay around a bit more. This year Manitoba (Palladium) is even more the centre of the festival with events every night and it promises to help Artamis to say goodbye to this summer in style. Then it also offers a wide range of theatre, dance and music events. Check out yourself in:
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O Coxo
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Friday, 1 August 2008
La petite pause café
ou bien les vacances...
Actually I have been on "blog hollidays" since beginning of July. Things are quite busy at CERN these days (we're getting things set for Doomsday, as some apocalyptical visionaries are saying), so I have been spending more and more time underground, where coffee machines are a rare item.
Plus, it is summer. At least that is what my calendar says although I still need some better proof than a couple of sunny days ending in diluvial rains.
Maybe it is just the fact that I have been living like a mole for the last few weeks and the sunlight starts to feel discomfortable, but I am learning to enjoy this feeling of increasing intimacy with darkness.
Even the rain that just started to fall outside (again) comes as a relief.
Anyway, I will be back during September. I will still be writing as if someone is reading. But that doesn't really matter. My only purpose now is to get through the summer without too much light.
I have a sensitive skin.
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Monday, 21 July 2008
Thursday, 10 July 2008
Poema em linha recta
Excerto de "Poema em linha Recta" de Álvaro de Campos
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cómico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
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O Coxo
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